quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Vamberto Freitas - Border Crossing, Leituras Transatânticas 4

Vamberto Freitas (imagem retirada da internet







Amanhã na Livraria Leya SolMar, com Vamberto Freitas










Urbano Bettencourt, Carlos Bessa, o Consûl dos Estados Unidos nos Açores e, certamente, muitos dos amigos e admiradores de Vamberto Freitas vão juntar-se, amanhã dia 17 de Novembro, pelas 19h, na Livraria Leya SolMar para partilhar de um momento que, se me permitem, é mais, ou assim deveria ser, do que a apresentação do volume 4 do Border Crossings, Leituras Transalânticas.

Vamberto Freitas não é apenas um ensaísta e crítico literário, Vamberto Freitas é, se me permitem, uma instituição de utilidade pública para a literatura. É-o em particular para as temáticas literárias de matriz açoriana escritas em português e inglês, mas é mais, muito mais do que isso pois, a dimensão da sua obra não se confina à apreciação e, por conseguinte, divulgação dos autores que escrevem nos Açores, sobre os Açores, ou sobre a diáspora açoriana e, mais genericamente sobre a diáspora portuguesa. O seu trabalho e a sua obra não têm fronteiras culturais, nem está eivada de qualquer visão redutora da literatura.
Ao Vamberto Freitas só posso agradecer o que com ele aprendi e quero continuar a aprender e, dizer-lhe que será um enorme prazer estar amanhã, pelas 19h, na Livraria Leya SolMar, para partilhar este momento com ele.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Uma luta de todos


Foto by Aníbal C. Pires
Os professores e educadores estão em luta pelo descongelamento da carreira e pela recuperação integral do tempo de serviço. Descongelamento e recuperação do tempo de serviço que pretendem claro e inequívoco, ou seja, sem atropelos nem expedientes que, de algum modo, possam manter ou promover situações discriminatórias e, como tal, injustas.
Não sendo as únicas reivindicações dos docentes estas serão, porém, as que no imediato constituem as mais prementes e às quais urge atender, sob pena de perpetuar um dos maiores ataques à sua dignidade profissional. Da não satisfação destas reivindicações resulta que muitos docentes chegarão ao fim da sua vida ativa sem que lhes estejam reunidas condições para acederem ao topo da carreira.
À semelhança dos restantes trabalhadores da administração pública os docentes não são objeto de atualizações salariais desde 2009, tendo a partir de 2011 sido alvo de cortes salariais e vítimas da espúria sobretaxa do IRS, que este ano foi gradualmente desaparecendo. Mas se estas são as questões materiais que mais se evidenciam e as que poderão unir os educadores e professores em defesa da sua profissão e carreira, outros aspetos, quiçá menos visíveis, contribuíram para a desvalorização da profissão e da missão da Escola.
As alterações às regras da aposentação, a subversão do horário de trabalho, o aumento da carga burocrática e a perda continuada de autoridade são, de entre outros, alguns dos aspetos que têm contribuído para a consumação da funcionalização da docência. A par desta desvalorização e descaraterização profissional assistiu-se, não por acaso, à alteração da missão da Escola. A Escola foi alvo de profundas alterações não no sentido da evolução, mas do retrocesso. A Escola pública portuguesa é hoje, tal como antes do 25 de Abril, uma instituição que reproduz as desigualdades sociais e promove modelos sociais e culturais ancorados no pensamento único.
A desvalorização da carreira docente e a funcionalização dos educadores e professores não é indissociável do retrocesso que se verificou no sistema de ensino regional e nacional, aliás a segunda necessitou de que a primeira condição fosse satisfeita para que a estratégia redutora do papel da Escola fosse conseguida.
Foto by Aníbal C. Pires
A luta dos educadores e professores é, assim, mais vasta do que a lista de reivindicações que, de momento, mobilizam os docentes, a luta dos educadores e professores é, também, pela recuperação do paradigma transformador e libertador de que a Escola não pode abdicar, sob pena de se transformar numa espécie de depósito de crianças e jovens indiferentes à realidade local e global que vivemos.
Os educadores e professores, hoje, como no passado, lutam para serem respeitados, quer no plano social, quer no que concerne aos seus direitos.
Os educadores e professores lutam pela sua dignidade profissional. Mas esta é, também, uma luta de todos os que acreditam na Escola como pilar estruturante da sociedade, uma luta de todos quantos depositam confiança nos educadores e professores quando, pela manhã, deixam os seus filhos e educandos na Escola.
Ponta Delgada, 14 de Novembro de 2017

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 15 de Novembro de 2017

terça-feira, 14 de novembro de 2017

... do retrocesso

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires








Excerto de texto a publicar na imprensa regional e, como é uso e costume, aqui neste blogue


(...) As alterações às regras da aposentação, a subversão do horário de trabalho, o aumento da carga burocrática e a perda continuada de autoridade são, de entre outros, alguns dos aspetos que têm contribuído para a consumação da funcionalização da docência. A par desta desvalorização e descaraterização profissional assistiu-se, não por acaso, à alteração da missão da Escola. A Escola foi alvo de profundas alterações não no sentido da evolução, mas do retrocesso. A Escola pública portuguesa é hoje, tal como antes do 25 de Abril, uma instituição que reproduz as desigualdades sociais e promove modelos sociais e culturais ancorados no pensamento único.
A desvalorização da carreira docente e a funcionalização dos educadores e professores não é indissociável do retrocesso que se verificou no sistema de ensino regional e nacional, aliás a segunda necessitou de que a primeira condição fosse satisfeita para que a estratégia redutora do papel da Escola fosse conseguida. (...)

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Causa efeito

Foto by Madalena Pires
Os indicadores sociais e económicos em Portugal sofreram nos últimos dois anos alterações que não podem ser ignoradas. Os analistas de política e economia de diferentes quadrantes políticos não deixam de o referir. Sim, analistas de diferentes quadrantes políticos, bem que nos querem fazer crer que sim, mas não existem analistas independentes e imparciais, isto é, ao passo que os anjos não têm sexo os analistas regem-se, como todos nós, por uma matriz ideológica e política. Os analistas de política e economia não são seres assexuados nem apolíticos e, por vezes, nem apartidários chegam a ser. Mas como dizia, os analistas não ignoram a inversão dos indicadores sociais e económicos, têm leituras diferentes, em conformidade com a sua matriz política e ideológica, mas não conseguem esconder que o desemprego baixou, a economia cresceu e o rendimento per capita aumentou, é inegável.
O que diverge na opinião publicada não é o reconhecimento das transformações, o que não é coincidente na opinião dos analistas e comentadores são as causas que lhe estão na origem. Por exemplo Marques Mendes, essa grande figura da política nacional que se transformou em analista e comentador residente numa das televisões nacionais, disse por estes dias que apesar do bom momento económico que Portugal atravessa não estamos a convergir com a Europa. O que Marques Mendes não explicou foi a que se deve o tal “bom momento económico”, nem as razões porque não estamos a convergir com a média europeia.
Uma outra eminência parda que não sendo comentadora nem analista, mas que tem como responsabilidade presidir ao Conselho Superior das Finanças Públicas(CSFP) também veio a terreiro com as suas doutas opiniões e que dizem bem da sua independência e imparcialidade política. Teodora Cardoso afirmou recentemente, a propósito do Orçamento de Estado para 2018, que "a proposta do OE2018 continua sobretudo empenhada em tirar partido da conjuntura favorável e em cumprir as regras apenas nos mínimos indispensáveis para obviar a desaprovação da Comissão Europeia.” A presidente do CSFP também não procurou explicações para aquilo que designa de “conjuntura favorável”, como se isso fosse uma espécie de bênção divina e não resultasse de ações concretas decorrentes de opções orçamentais que tiveram como consequência o aumento do rendimento das famílias, quanto ao cumprimento das regras, no mínimo, no meio ou no limite máximo, diz bem da subserviência política de Teodora Cardoso ao diretório que domina a União Europeia. Mas a presidente do CSFP não se fica por aqui e insiste que não é pelas opções orçamentais que se prevê uma descida de 1,4% do défice, em 2017, para 1%, em 2018, mas sim devido ao impacto da atividade económica, aos dividendos do Banco de Portugal e a outros efeitos não identificados. Não especificou, eu pelo menos não tenho conhecimento, qual o contributo destas três variáveis para a descida do défice público, mas valham-nos os todos os deuses, Então senhora presidente, os impactos da atividade económica e os dividendos do Banco de Portugal devem-se a quê, isto porque quanto aos efeitos não identificados enfim, abstenho-me de comentar. O dinamismo ou a anemia da atividade económica resultam, creio eu, das opções políticas traduzidas em sede de orçamento e que, naturalmente, têm repercussões na atividade financeira.

Foto by Aníbal C. Pires
Em Portugal atravessa-se uma conjuntura favorável, como diz Teodora Cardoso, ou um bom momento económico, segundo Marques Mendes. Julgo que estaremos todos de acordo quanto a isso, mas porquê. Qual a causa que está na origem desta conjuntura favorável, qual a causa que provoca este bom momento económico, ou será que não existe uma causa e os efeitos estão a acontecer por um qualquer acaso.
O que está na origem das alterações que se verificaram nos dois últimos anos resume-se a uma palavra, Rutura. Em 2015 quebrou-se o ciclo de austeridade e empobrecimento e tomaram-se medidas, ainda que insuficientes e incipientes de reposição de rendimentos e direitos aos trabalhadores e aos reformados e pensionistas. Foi pouco, mas foi o suficiente para alterar o cenário dramático que se vivia em Portugal. O Orçamento para 2018 dá mais uns passos na consolidação e avanço destas opções. Se só por si é suficiente para que o bom momento económico não seja apenas uma conjuntura favorável, Não. O aumento do consumo por via do aumento do rendimento tem de ser acompanhado por políticas que promovam o aumento da produção nacional e a redução da dependência externa. Se isto não for feito então sim, estaremos a falar apenas de conjunturas favoráveis ou, de um bom momento económico.
Ponta Delgada, 12 de Novembro de 2017

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 13 de Novembro de 2017

... quebrar um ciclo

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires









Excerto de texto a publicar na imprensa regional e no blogue momentos










(...) Em 2015 quebrou-se o ciclo de austeridade e empobrecimento e tomaram-se medidas, ainda que insuficientes e incipientes de reposição de rendimentos e direitos aos trabalhadores e aos reformados e pensionistas. Foi pouco, mas foi o suficiente para alterar o cenário dramático que se vivia em Portugal. O Orçamento para 2018 dá mais uns passos na consolidação e avanço destas opções. Se só por si é suficiente para que o bom momento económico não seja apenas uma conjuntura favorável, Não. O aumento do consumo por via do aumento do rendimento tem de ser acompanhado por políticas que promovam o aumento da produção nacional e a redução da dependência externa. (...)

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Orçamentos

Foto by Aníbal C. Pires
O Orçamento de Estado(OE), o Plano Anual (PA) e o Orçamento da Região Autónoma dos Açores (ORAA) estão na ordem do dia. Diz o Governo Regional que o OE é bom para a Região, não contesto e até concordo, mas podia ser diferente e melhor para o País e para a Região. Sendo um bom orçamento, desde logo porque as transferências do Estado para a Região aumentam, é legítimo e expetável que o ORAA e o PA, para 2018, possam refletir toda a bondade do OE, o que julgo não se irá verificar tendo em conta a proposta de orçamento conhecida, a não ser que a ALRAA o transforme, através das propostas de alteração dos grupos e representações parlamentares, quer o que sustenta o governo regional, quer as diferentes oposições.
Antes, ainda, de fazer uma ou outra apreciação à proposta de ORAA, ficam algumas considerações gerais sobre a proposta de OE para 2018.
Sendo uma proposta conformada à dívida, ao euro e às regras e política da União Europeia (UE) e, como tal, redutora na abordagem e nas respostas que o País e os portugueses necessitam para se libertarem dos garrotes externos, não posso deixar de valorizar algumas medidas que consolidam a reposição de direitos e rendimentos e, mais alguns ténues passos nesse caminho, como sejam, um novo aumento das pensões e reformas, o alívio da carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho, para quem tem rendimentos mais baixos e, ainda, a perspetiva de serem devolvidos direitos aos trabalhadores da Administração Pública.
Se estou satisfeito, Não, não estou. Mas isso não me impede de reconhecer e valorizar estes aspetos positivos, só possíveis porque na República a governação, ao contrário da Região, obriga a um diálogo permanente entre o PS e os partidos com quem subscreveu acordos bilaterais. Nos Açores o diálogo está viciado pela maioria absoluta, ou seja, não existe.
Nos Açores e embora se dê, naturalmente, uma importância acrescida ao PA pois, trata-se da planificação do investimento setorial com implicações em cada uma das nossas ilhas e onde têm mais visibilidade as opções políticas do Governo, mas também as propostas das oposições. Mas é bom não esquecer que o PA é apenas um dos capítulos do ORAA e, por conseguinte, deve ser o ORAA a merecer uma análise mais apurada.
Foto by Aníbal C. Pires

Na proposta de ORAA, aliás com tem sido habitual, o Governo Regional volta a utilizar alterações cirúrgicas à legislação. Este expediente constitui uma péssima técnica legislativa para além de complexificar a consulta da lei, por outro lado não se compreende que algumas dessas alterações sejam renovadas anualmente, não se percebendo se o Governo Regional as mantém, por serem excecionais, ou se não quer correr o risco de ter de as discutir em sede própria do diploma em causa, como é o caso da discriminação feita aos docentes contratados que não são compensados, ao contrário dos seus colegas do continente, pela caducidade do contrato de trabalho. Esta norma contraria o disposto no n.º 3 do art.º 293 e no n.º 4 do art.º 294 da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas aprovada em anexo à Lei n.º 35/2014, de 20 de Junho. Esta preceito do ORAA, a que me refiro, contraria o disposto na Lei e, em minha opinião, é de constitucionalidade duvidosa.
Da leitura transversal que fiz à proposta de ORAA constato que o Governo Regional, ao contrário do que tem vindo a ser adotado na República, continua a penalizar, os açorianos ao não baixar a taxa superior do IVA de 18 para 16%. Quanto às propostas no quadro do IRS visam, apenas, a adaptação regional às alterações feitas pelo Governo da República. Ou seja, o Governo Regional continua a não fazer uso das competências autonómicas para aumentar, neste caso por via indireta, o rendimento das famílias açorianas. Mas se não o faz por via da redução da carga fiscal, também o não faz, por via direta, propondo o aumento do acréscimo regional ao salário mínimo nacional e dos complementos regionais, como seja a remuneração complementar para a administração pública regional.
As propostas de PA e de ORAA, para 2018, apresentadas pelo Governo Regional à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, ao manterem o essencial das opções políticas que têm caraterizado a governação regional, significa que para o PS nos Açores o rumo político não é para se alterar, são assim as maiorias absolutas. O povo açoriano continua, sob a batuta do PS, a trilhar um caminho de austeridade e empobrecimento.
Ponta Delgada, 06 de Novembro de 2017

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 08 de Novembro de 2017

terça-feira, 7 de novembro de 2017

... expediente orçamental

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires





Excerto de texto a publicar na imprensa regional e, como é uso e costume, aqui neste blogue





(...) Na proposta de ORAA, aliás com tem sido habitual, o Governo Regional volta a utilizar alterações cirúrgicas à legislação. Este expediente constitui uma péssima técnica legislativa para além de complexificar a consulta da lei, por outro lado não se compreende que algumas dessas alterações sejam renovadas anualmente, não se percebendo se o Governo Regional as mantém, por serem excecionais, ou se não quer correr o risco de ter de as discutir em sede própria do diploma em causa, como é o caso da discriminação feita aos docentes contratados que não são compensados, ao contrário dos seus colegas do continente, pela caducidade do contrato de trabalho. Esta norma contraria o disposto no n.º 3 do art.º 293 e no n.º 4 do art.º 294 da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas aprovada em anexo à Lei n.º 35/2014, de 20 de Junho. Esta preceito do ORAA, a que me refiro, contraria o disposto na Lei e, em minha opinião, é de constitucionalidade duvidosa. (...)

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A SATA, o IMAR e a SINAGA

Foto by Aníbal C. Pires
A semana passada foi rica em péssimas notícias para a Região. A SINAGA vai deixar de transformar beterraba sacarina, o IMAR vai fechar as portas e a ligação da Azores Airlines com Madrid tem o seu fim anunciado. Os neoliberais dirão que são as dinâmicas do mercado a funcionar, eu direi que S. Miguel, o Faial e a Terceira ficam mais pobres.
Razões de ordem comercial e/ou operacional terão levado a SATA a por fim ao voo que ligava a Terceira a Madrid ou, se preferirem o seu contrário, a ligação aérea que liga a capital espanhola à ilha Terceira tem o seu fim anunciado. Desconheço os motivos que fundamentam esta decisão da SATA, mas sei o quanto este voo foi, e é, importante para a economia da ilha Terceira, em particular para a hotelaria, a restauração e a animação turística e, por conseguinte, para a economia terceirense.
Sei também que alguns setores da sociedade açoriana se manifestam contra todas a rotas comerciais da Azores Airlines/SATA Internacional que vão além das que ligam os Açores ao continente português, como sejam as que têm origem ou, destino, na Terceira e S. Miguel, ou ainda as que ligam Região aos Estados Unidos e ao Canadá, isto é, às nossas comunidades. As ligações do Faial, Pico e Santa Maria fazem parte do reduzido pacote das Obrigações de Serviço Público (OSP) e, por essa razão não as incluí na lista anterior. Todas as outras rotas, como sejam as de Madrid, Frankfurt, Praia ou outras, essas estarão a mais e deve ser deixado o caminho aberto para as empresas privadas. Existem, contudo, vozes que defendem um outro paradigma para a SATA e consideram que o Grupo se devia capacitar para poder cumprir aquele que deve ser o seu principal desígnio, mas também para se manter no mercado do transporte aéreo como qualquer outra empresa de aviação comercial. Mas a estratégia do acionista, ou a ausência dela, tem vindo a transformar a SATA num grave problema para a Região pois, não cumpre nem uma coisa nem a outra. O caminho está, assim, aberto e a opinião pública recetiva a qualquer solução que o acionista apresente para a Azores Airlines/SATA Internacional, desde a sua privatização ou, pura e simplesmente o seu encerramento.

Imagem retirada da Internet
O IMAR fecha, mas não fecha. Estejam descansados vai só mudar de nome e de estatuto. Também neste caso os fundamentos da decisão não são conhecidos, nem a alternativa. O nevoeiro cerrado que envolve esta decisão precisa ser dissipado e a decisão discutida publicamente, sob pena de o Faial poder vir a perder um dos principais polos onde se pode, e deve ancorar o paradigma do seu desenvolvimento para o século XXI,
Com a questão do fim do IMAR a assunto da precariedade dos investigadores veio de novo à tona. A precariedade na investigação científica é, como noutros setores, a norma, 80% dos investigadores do IMAR são precários, embora a maioria destes investigadores sejam já doutorados continuam a depender das bolsas e do financiamento dos projetos. E como não têm vínculo, não têm voz nem representação nos órgãos que administram o IMAR, e muito menos nos órgãos colegiais da Universidade dos Açores. E assim vamos andando que o turismo é que nos salva. Dizem por aí.

Imagem retirada da Internet
A SINAGA, para já, também não vai fechar portas, mas com esta decisão a agroindústria regional fica mais pobre pois, segundo o que foi anunciado aquela unidade de produção vai deixar de produzir açúcar a partir da beterraba sacarina. É uma atividade agrícola que fecha um ciclo que teve importância económica, é uma atividade industrial que como outras, ligadas ou não à agricultura, foram encerrando ao longo das últimas décadas, quer em S. Miguel, quer noutras ilhas da Região.
Reduzir a atividade económica produtiva regional é caminhar para o empobrecimento e não há Turismo que nos valha. Veja-se o exemplo das ilhas Canárias um dos destinos turísticos mais procurados e, no entanto, é uma das Regiões mais pobres da União Europeia.

Ponta Delgada, 05 de Novembro de 2017

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 06 de Novembro de 2017

Encerra, mas é só um pouco

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires






Fragmento de texto a publicar na imprensa regional e no momentos, aqui mesmo como é habitual.










(...) O IMAR fecha, mas não fecha. Estejam descansados vai só mudar de nome e de estatuto. Também neste caso os fundamentos da decisão não são conhecidos, nem a alternativa. O nevoeiro cerrado que envolve esta decisão precisa ser dissipado e a decisão discutida publicamente, sob pena de o Faial poder vir a perder um dos principais polos onde se pode, e deve ancorar o paradigma do seu desenvolvimento para o século XXI, 
Com a questão do fim do IMAR a assunto da precariedade dos investigadores veio de novo à tona. A precariedade na investigação científica é, como noutros setores, a norma, 80% dos investigadores do IMAR são precários, embora a maioria destes investigadores sejam já doutorados continuam a depender das bolsas e do financiamento dos projetos. E como não têm vínculo, não têm voz nem representação nos órgãos que administram o IMAR, e muito menos nos órgãos colegiais da Universidade dos Açores. E assim vamos andando que o turismo é que nos salva. Dizem por aí. (...)

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Dualidade

Imagem retirada da Internet
Acompanho, ainda que, sem a profundidade que gostaria as questões da política internacional. Interesso-me pelo que se passa planeta e, não só no nosso civilizado Mundo. Por muito distante, quiçá pouco significativas para as sociedades ocidentalizadas, que possam parecer as questões dos povos indígenas do Brasil e de outros países da América do Sul, por muito distante que seja a Somália, ou as comunidades cujo acesso a água potável, continue a ser uma privação que mata. Por muito distante, ou que possa parecer que seja, interesso-me e preocupa-me. Claro que também me interessam os problemas domésticos e o dos nossos vizinhos em Espanha e na Catalunha ou, ainda que geograficamente mais distantes, mas politica, social e economicamente próximos, como sejam os desvarios, internos e externos, da administração Trump, mas também as tensões na península da Coreia. Tudo o que se passa no planeta mais tarde ou, mais cedo, acaba por ter reflexos na nossa vida. Afinal vivemos no espaço confinado de um planeta, onde todos somos afetados pelo que de bom ou mau se faz, seja aqui ao lado ou, no mais distante rincão da Patagónia ou, da Papua Nova Guiné.
Interessando-me e acompanhando o que se passa no Mundo tenho, porém, evitado escrever e partilhar alguma reflexão sobre algumas das questões que já referi e outras, como por exemplo a situação na Venezuela, da qual se deixou de ouvir falar tão de amiúde, talvez porque num recente ato eleitoral, Não, não foi para a constituinte, a oposição ao governo tenha sofrido uma das suas maiores derrotas. Como dizia, interesso-me e acompanho, mas na verdade tenho evitado escrever e comentar o que quer que seja que vá para além dos assuntos regionais e nacionais. Talvez por uma questão de hierarquização, pela atualidade temática, enfim prioridades, ou talvez por acaso. Talvez por qualquer uma das razões já enumeradas ou, quem sabe, e eu em boa verdade não sei, porque as corporações mediáticas intoxicam a opinião pública com uma visão unilateral dos acontecimentos, ou pura e simplesmente omitem a divulgação de alguns acontecimentos. Omissões que se devem, não tenho dúvidas, aos critérios editoriais. Critérios contra os quais não há nada a fazer, os critérios e editoriais que tudo justificam, mesmo o que não tendo fundamento nenhum, a não ser o dos donos das ditas corporações.
Depois destes dois longos parágrafos é legítimo perguntarem ao autor, mas afinal o que é que pretendes com esse arrazoado, Nada de especial, direi eu. Mas já que perguntam e para ilustrar o que tenho vindo a dizer vamos ao caso da declaração de independência da República da Catalunha, Pois o referendo também colocava essa questão, Independência e República. Quem analisa e trata estes assuntos com seriedade dirá, Nem podia ser de outra forma a separação de Espanha e a proclamação da República da Catalunha são indivisíveis. O certo é que a questão da proclamação da República não tem sido objeto de grande atenção pelas corporações mediáticas, o foco tem estado centrado apenas e tão-somente na independência. Mas isso são contas de outro rosário.
De momento importa perceber, se é que há alguma coisa para perceber, a dualidade de critérios jornalísticos, de posicionamentos políticos e institucionais sobre situações idênticas e que tiveram lugar no espaço europeu e nas últimas décadas. O reconhecimento internacional da independência da Bósnia-Herzegovina, da Croácia, da Macedónia, da Eslovénia, do Montenegro e, mais tarde, em 2008, o Kosovo, foi imediato. Todos eles eram territórios, em conjunto com a Sérvia, da antiga Jugoslávia, mas nem todos, ao longo da sua história, em algum momento constituíram estados independentes, como seja o caso da Bósnia-Herzegovina e do Kosovo.

Imagem retirada da Internet
Não pretendo trazer a história destas independências para este espaço e vou apenas deixar como exemplo a questão do Kosovo, região à qual se atribui a génese da Sérvia, por ser o paradigma da promoção artificial da formação de um Estado por interesses externos ao seu próprio povo e não haver, bem pelo contrário, razões de ordem histórica que justificassem a sua criação, aliás o processo que conduziu à independência do Kosovo só foi possível pela intervenção estrangeira, designadamente pela NATO que pela primeira vez assumiu uma atitude ofensiva, contrariando, assim seu próprio estatuto de organização defensiva. 
Um olhar sobre a comunicação social, da época, sobre a questão do Kosovo e a lista dos países que se apressaram a reconhecer a criação artificial de um novo estado, diz bem da dualidade de critérios jornalísticos, políticos e institucionais face a situações idênticas.
Ponta Delgada, 30 de Outubro de 2017

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 01 de Novembro de 2017