quarta-feira, 18 de abril de 2018

Na Síria, Quem é quem

Imagem retirada da Internet
Sobre a agressão à Síria, que não é de agora, dura abertamente desde 2011, a informação que circula na comunicação social portuguesa de referência, seja lá o que isso for, tem sido tendenciosa e, em alguns momentos, manipuladora da opinião pública. Nada que eu estranhe, mas que não fica bem a quem tem por missão informar, mesmo considerando que os conflitos políticos e militares são sempre alvo de tentativas de contrainformação e de propaganda.
Deixo aqui o mais recente exemplo, ou melhor dois exemplos de factos que tendo sido difundidos e confirmados não foram alvo de notícias na tal, de referência, comunicação social nacional.
Segundo a agência espanhola de informação a EFE, nos dias que se seguiram às notícias do suposto ataque com armas químicas, em Douma, “A Síria enviou um convite à Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) para que uma equipa dos seus investigadores visite a cidade de Douma, nos arredores de Damasco, onde houve denúncias do seu suposto ataque químico no sábado.” O convite foi feito e confirmado e os investigadores da OPAQ que se encontram na Síria desde o dia 14, ou seja, poucas horas depois dos bombardeamentos que, supostamente, terão destruído os locais de armazenamento e fabrico de armas químicas. Difícil será agora comprovar o que quer que seja. Os Estados Unidos, a Inglaterra e a França, vá-se lá saber porquê, parece não quererem apurar a verdade. As certezas desta aliança são cada vez mais semelhantes com o logro que Colin Powell apresentou no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a 5 de Fevereiro de 2003, e que justificou perante a opinião pública mundial a invasão do Iraque.
O outro exemplo não estando diretamente relacionado com a Síria, mas está com a Rússia, é a confirmação, por um prestigiado e independente laboratório suíço, de que o aposentado espião russo e a sua filha, não foram submetidos ao agente tóxico “novichok”. A filha de Skipral já teve alta do hospital e o antigo espião russo já não se encontra em estado crítico, a terem sido alvo de um ataque com aquele agente tóxico e a sua morte já teria acontecido.
E assim se foram por água abaixo as teses que estiveram na base do azedar das relações diplomáticas entre os Estados Unidos, a Inglaterra, os seus aliados, e a Rússia. Esta questão só parece que não, mas tem tudo a ver com a questão Síria.

Imagem retirada da Internet
Uma outra informação, esta sim, difundida, prende-se com um facto, julgo eu estranho. Vejamos, A embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Nikki Haley, afirmou durante uma entrevista a televisões do seu país que as tropas norte-americanas “não sairão da Síria sem que os objetivos da sua presença sejam alcançados”. Para além desta afirmação contradizer o presidente dos Estados Unidos (entendam-se) que, alguns dias antes, tinha afirmado que iria retirar os soldados americanos da Síria, fica demonstrado inequivocamente a presença de soldados estrangeiros em território sírio sem autorização da República Árabe da Síria. O que conforma, face ao direito internacional, uma invasão. Mas nem é bem isso que me causa alguma estranheza. Estranho mesmo é saber onde é que estão, ou têm estado, pois já não há muito território sírio que não esteja limpo de terroristas, os militares dos Estados Unidos, pois bem só podem estar, ou ter estado, nos territórios sob controle do terrorismo islâmico, neste caso nos territórios sírios sob domínio da Al-Nusra/Al-Qaeda, isto se quisermos, ainda assim, diferenciar estas organizações do DAESH. Afinal quem é quem na Síria.
Que os Estados Unidos têm, ou tiveram, soldados em território sírio não é especulação. Foi o presidente Donald Trump e a sua embaixadora nas Nações Unidas que o confirmaram.
Mas esta constatação leva-me a outras notícias que vêm do tempo em que Alepo foi libertada e que agora, com a libertação de Ghouta, se verificaram de novo. Aquando da libertação de Alepo foi divulgada, pelo governo sírio, a captura pelo seu exército de mais de uma dezena de oficiais da NATO de várias nacionalidades. Agora com libertação de Ghouta, muito antes do que se pensava, corre por aí que alguns militares britânicos terão sido capturados pelas forças armadas sírias que libertaram a região de Ghouta Oriental. Dir-me-ão que esta última notícia tem origem numa agência de informação iraniana, É verdade. Mas também é verdade que não dei conta de nenhum desmentido.
Afinal, quem é quem na Síria.
Ponta Delgada, 16 de Abril de 2018

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 18 de Abril de 2018

terça-feira, 17 de abril de 2018

... que estranho, ou talvez não


Foto by Madalena Pires (S. Miguel, 2017)




Excerto de texto a publicar na imprensa regional e também aqui, neste blogue






(...) A embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Nikki Haley, afirmou durante uma entrevista a televisões do seu país que as tropas norte-americanas “não sairão da Síria sem que os objetivos da sua presença sejam alcançados”. Para além desta afirmação contradizer o presidente dos Estados Unidos (entendam-se) que, alguns dias antes, tinha afirmado que iria retirar os soldados americanos da Síria, fica demonstrado inequivocamente a presença de soldados estrangeiros em território sírio sem autorização da República Árabe da Síria. O que conforma, face ao direito internacional, uma invasão. Mas nem é bem isso que me causa alguma estranheza. Estranho mesmo é saber onde é que estão, ou têm estado, pois já não há muito território sírio que não esteja limpo de terroristas, os militares dos Estados Unidos, pois bem só podem estar, ou ter estado, nos territórios sob controle do terrorismo islâmico, neste caso nos territórios sírios sob domínio da Al-Nusra/Al-Qaeda, isto se quisermos, ainda assim, diferenciar estas organizações do DAESH. (...)

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Transportes aéreos II – Infraestruturas aeroportuárias

Foto by Aníbal C. Pires
(continuação)
A passada semana trouxe uma breve reflexão sobre algumas questões que, em minha opinião, considero importantes para a discussão da revisão das OSP. O que se avizinha não é um quadro negocial fácil, isto se a Região pretender dar resposta aos efeitos perversos que o atual modelo introduziu no sistema.
Não dependendo da vontade política regional, como veremos mais adiante, as infraestruturas aeroportuárias na Região e as transportadoras aéreas que voam nos Açores e para os Açores não podem, contudo, deixar de fazer parte da agenda política regional, seja a que é manifestada pelos partidos políticos, ou a que é manifestada pelas organizações sociais e empresariais.

Na região existem nove aeroportos e aeródromos, mas apenas 4 são propriedade da Região (Graciosa, Pico, S. Jorge e Corvo), as infraestruturas da ANA, estão concessionadas à VINCI após a privatização da empresa pública que as geria (Santa Maria, S. Miguel, Faial e Flores), por fim a Terceira, só a aerogare pertence à Região, a infraestrutura é militar e a sua tutela é do Ministério da Defesa Nacional.

O espaço aéreo na Região, ao contrário do que por vezes ouvimos dizer, abriu muito antes de 2015, ou seja, as transportadoras aéreas podiam, se o quisessem voar para qualquer uma das cinco gateways existentes, sendo que as OSP, embora formalmente não as impedissem de voar impunham alguns constrangimentos. Mas, como sabemos, a existência de voos charters para a Região, em particular para S. Miguel, há muito que são uma realidade. Coisa bem diferente foi o que aconteceu em 2015, ou seja, duas das rotas para a Região foram liberalizadas, S. Miguel e Terceira. Com a liberalização das rotas deixou de haver OSP e outras transportadoras iniciaram, desde logo, operações regulares com a rota de S. Miguel. Mas para que fique totalmente claro, para as restantes gateways o espaço aéreo não está fechado e a realização de voos charters é possível e, diria até, uma solução para algumas das questões que têm sido levantadas pelas Câmaras de Comércio e outras organizações empresariais. Foi nesta base que um grupo de empresários do Pico anunciou a criação da Pico Airways. Não será, digo eu, uma nova companhia aérea, mas será certamente um operador de voos charter com destino ao aeroporto do Pico para servir as ilhas do Triângulo.

Foto by Aníbal C. Pires
A liberalização das rotas da Terceira e S. Miguel e o atual modelo de OSP, sendo as mais visíveis não foram, porém, as únicas alterações que influenciaram o atual modelo de transportes aéreos na Região. Pouco se fala, talvez não seja conveniente, da privatização da TAP e da ANA, mas aconteceu.

- o processo de privatização não é irreversível. É possível e desejável que a ANA e a TAP regressem ao domínio público. Esta é uma luta e uma opinião, mas o contributo para esta reflexão situa-se no fato de que a ANA Aeroportos (que detém 4 aeroportos na Região, Santa Maria, S. Miguel, Faial e Flores) ter sido privatizada, bem assim com a TAP Air Portugal. Os efeitos, na Região, da privatização destas duas empresas são conhecidos e os mais visíveis serão o aumento das taxas aeroportuárias, o encerramento dos parques de estacionamento gratuitos, e o fim da operação da TAP para o Faial e para o Pico. Sendo que no que concerne à TAP esta decisão está diretamente relacionada com o atual quadro das OSP e as caraterísticas da operação para aquelas duas gateways;

- o Pico e o Faial e os movimentos que defendem a melhoria das acessibilidades aéreas para estas duas ilhas estão a ser embalados pelo poder político, vejamos: i) a possibilidade da entrada da Ryanair numa destas rotas; ii) o grooving na pista do Pico, melhora a operacionalidade, mais ou menos, aliás a pista do Faial já tem grooving e nem por isso as aeronaves deixam de ser penalizadas quando a pista está molhada; iii) a possibilidade, já anunciada pelo Governo Regional, de na próxima revisão do contrato de concessão da ANA à VINCI, a ampliação da pista do aeroporto do Faial ser uma exigência. Até pode ser, mas se o(s) Governo(s) não se adiantarem com o financiamento não estou a ver a VINCI a comprometer-se com a obra. É claro que a VINCI, tendo em consideração o seu core business (não é a gestão de aeroportos) e os interesses que já detém em Portugal pode muito bem ser compensada pelo investimento, ainda que não seja de forma direta, mas isso sou eu que digo;

Foto by Aníbal C. Pires
- agora uma opinião sobre as questões da melhoria das acessibilidades aéreas ao Pico e ao Faial. Reclama-se pela melhoria das condições de operacionalidade e segurança nas duas gateways do triângulo, e bem. Sabe-se, no entanto, que existem constrangimentos geográficos e meteorológicos que não são fáceis de ultrapassar por muitos que tenham sido os avanços tecnológicos, isto para além dos custos que ao que parece, apesar das promessas, ninguém quer suportar. Estranho, que neste processo uma outra variável, ou se preferirem uma outra proposta de solução, não esteja a ser equacionada. Uma outra tipologia de aeronave para assegurar com regularidade e fiabilidade, e com o conforto e segurança que todos desejamos, das ligações do Faial e do Pico com o exterior. Existem aeronaves que se adaptam às infraestruras, existem os estudos, sabe-se até que as tarifas poderiam baixar (relativamente aos 134,00 €), e estranhamente esta não é uma reivindicação quando, sem descurar as atuais exigências, esta é solução que, naturalmente, o Governo Regional e a SATA com mais celeridade poderiam resolver. Os A320 e mesmo os A 319 não são os equipamentos de voo mais adequados às caraterísticas da operação para as ilhas do triângulo, em particular do aeroporto do Faial. Percebo que as reivindicações do Triângulo não se ficam apenas por aqui, a pretensão é poderem dispor de infraestruturas que permitam a operação com aeronaves com capacidade de realizarem voos de longo curso (por exemplo, voos provenientes dos Estados Unidos);

- a questão das infraestruras aeroportuárias e das suas limitações não se esgota aqui. Talvez por causa das limitações, talvez por isso a opção por uma ou outra aeronave, nas ligações intercontinentais, para operar naquele que se pretende seja o hub regional, não seja (ou tenha sido) tão fácil como pode parecer à primeira vista. Mas este, como já referi, não é um levantamento exaustivo de todas as variáveis desta complexa equação.

(continua na próxima semana)
Ponta Delgada, 16 de Abril de 2018

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 16 de Abril de 2018

... das dúvidas

Foto by Aníbal C. Pires






Fragmento de texto a publicar na imprensa regional








(...) - o Pico, o Faial e os movimentos que defendem a melhoria das acessibilidades aéreas para estas duas ilhas estão a ser embalados pelo poder político, vejamos: i) a possibilidade da entrada da Ryanair numa destas rotas; ii) o grooving na pista do Pico, melhora a operacionalidade, mais ou menos, aliás a pista do Faial já tem grooving e nem por isso as aeronaves deixam de ser penalizadas quando a pista está molhada; iii) a possibilidade, já anunciada pelo Governo Regional, de na próxima revisão do contrato de concessão da ANA à VINCI, a ampliação da pista do aeroporto do Faial ser uma exigência. Até pode ser, mas se o(s) Governo(s) não se adiantarem com o financiamento não estou a ver a VINCI a comprometer-se com a obra. É claro que a VINCI, tendo em consideração o seu “core business” (não é a gestão de aeroportos) e os interesses que já detém em Portugal pode muito bem ser compensada pelo investimento, ainda que não seja de forma direta, mas isso sou eu que digo; (...)

sábado, 14 de abril de 2018

Somos estúpidos, ou quê

Ao que parece este era um dos alvos (do sítio do DN)
O anunciado, com base em alegadas suposições, aconteceu esta madrugada.
A informação difundida pela troika (Estados Unidos, Inglaterra e França) diz que os bombardeamentos foram eficazes e destruíram os complexos e o comando do armamento químico na Síria.
A pergunta é, Então e os efeitos letais nas populações junto às áreas bombardeadas provocados pelos gases (armas químicas) que teriam de ser libertados face à sua suposta destruição?

A produção de um vídeo em que um capacete branco
se prepara para protagonizar mais um
salvamento de uma criança vítima do "ataque químico"
 
Somos estúpidos ou não paramos para pensar. E a comunicação social alimenta estas merdas e Portugal, não os portugueses, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros diz que compreende a ação de bombardeamento de um país soberano. Eu não. Eu condeno esta farsa e esta escalada de terrorismo de estado.

Um outro dado interessante prende-se com o fato de os bombardeamentos e a sua suposta eficácia ter sido feita antes da chegada dos investigadores das Nações Unidas à Síria. Peritos que iam verificar a veracidade do tal ataque com armas químicas. Muito conveniente.

Lembrar apenas que a ação desencadeada pelos Estados Unidos, Inglaterra e França foi executada à margem do direito internacional e sem consulta aos respetivos parlamentos.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 14 de Abril de 2018

Arrepiar caminho - crónicas radiofónicas

Foto by Aníbal C. Pires



Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105FM

Hoje fica o texto da crónica emitida a 03 de Fevereiro de 2018 que pode ser ouvida aqui






Arrepiar caminho

Esta semana David Neelman veio a público, em nome da TAP, anunciar a intenção, mais ou menos esperada, da transportadora aérea que já foi nacional, iniciar no próximo Verão ligações para os Estados Unidos a partir dos Açores.
Nada, como disse, que não fosse esperado.
Mas o momento e a oportunidade em que o patrão da TAP veio a terreiro não são inócuos. Como se sabe o Governo regional está a preparar a entrada de capital privado na SATA Internacional ou, se preferir na Azores Airlines. Isto abdicando da sua recapitalização com capitais públicos solução, não só possível como desejável, que garantiria a permanência da empresa no domínio público.
A prazo a privatização da SATA Internacional/Azores Airlines, à semelhança do que aconteceu com outras empresas públicas regionais e nacionais, vai ter repercussões sociais e económicas negativas na Região.
Deixe-me recordar-lhe que a privatização do Banco Comercial dos Açores, banco regional público, transformado em Banif Açores, depois só em Banif e depois, Bem e depois volatilizou-se. Enfim a estória é conhecida e os prejuízos para a Região e para os particulares também. Mas e sem qualquer esforço de memória atente-se à privatização da ANA, aeroportos de Portugal, ou dos CTT, para me referir apenas a duas empresas públicas que após a sua privatização levaram ao aumento do custo dos serviços e, no caso dos CTT, para além do aumento do tarifário, a uma notória quebra da qualidade dos serviços prestados que tem levado os utentes a manifestações de grande descontentamento.
Mas deixe-me retomar o fio à meada. Do que tem vindo a público sobre o interesse de investidores privados na aquisição dos tais 49% do capital social da SATA sabe-se que a TAP, ou o próprio David Neelman são potenciais concorrentes.
O anúncio feito por David Neelman, como lhe disse, não é inócuo e pretende introduzir ruído na tal entidade a que chamam mercado.
Foto by Aníbal C. Pires
A partir dos Açores para os Estados Unidos só tem voado a SATA e esse facto acrescenta valor à empresa. A vinda anunciada da Delta Airlines e agora da TAP para ligar os Açores e os Estados Unidos tem como consequência o afastamento de potenciais investidores no processo de privatização em curso e a redução do seu valor de mercado. Se é que para além de David Neelman e da TAP existem outros investidores interessados.
David Neelman, como se sabe, é um abutre financeiro e não deixa esse crédito por mãos alheias. Assim, e face ao contexto que está a ser criado, o Governo regional deveria, que outras razões não assistissem à razão, o Governo regional deveria, como dizia, suspender o processo de alienação parcial do capital social da SATA e procurar outros caminhos para a viabilização da empresa mantendo-a no domínio público.
A SATA não precisa ser privatizada, a SATA necessita de ser recapitalizada com recurso a ajudas de Estado e, sobretudo, necessita de uma estratégia comercial sob pena de não fazerem sentido alguns dos investimentos que já voam por aí.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 03 de Fevereiro de 2018

quinta-feira, 12 de abril de 2018

#letsrunazores representado no trail da Gardunha





A Madalena Pires vai representar o #letsrunazores no Trilho da Gardunha. A prova realiza-se no próximo sábado, dia 14 de Abril, sendo a partida pelas 9h 30mn (hora do continente).
À Madalena, por “picos” de motivos desejo uma excelente prova e, sobretudo, que esta beirã de nascimento e açoriana de coração possa chegar ao fim com a alegria de concluir mais uma etapa de superação. A idade é apenas um número.




~


Esta prova tem para a Madalena um significado especial. Vai calcorrear as encostas da serra à sombra da qual nasceram os seus pais.
Sobre a Serra da Gardunha e os seus encantos e recantos muito há para dizer, mas mais do que palavras a Gardunha tem de se sentir e amar. Quando puderem visitem a ajudem a preservar o património paisagístico e imaterial que à sua volta foi sendo construído.

A prova:

O percurso do Trilhos tem 23.7km e 1200m de desnível positivo, após a partida em Louriçal do Campo sobe em direção ao ponto mais alto da Serra e do Concelho de Castelo Branco, 1227m.
A primeira subida e todo o restante trajeto até ao primeiro abastecimento é bastante exigente.
Após este abastecimento, os atletas terão uma descida alucinante por entre rochas e estevas, passando na Nascente do Fontanheiro antes do segundo abastecimento e posteriormente percorrerão as margens da nascente do Rio Ocreza.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

É alegado, mas já há certezas - Síria

Colin Powell - imagem retirada da Internet
Nos últimos dias a comunicação social e as redes sociais reproduziram mais uma das produções “cinematográficas” dos “White Helmets/Capacetes Brancos” sobre a Síria. O tema não é novo, os métodos também não e, a credibilidade desta organização é a mesma que me merecem os seus financiadores. A projeção no Ocidente foi feita pela comunicação social que já nos habituou às “fakenews” e que está a construir um “fakeworld”. Mas nada disto seria possível sem a ajuda dos serviços de inteligência franceses, ingleses, estado-unidenses e israelitas que, comprovadamente têm estado a apoiar o terrorismo na Síria, Sim porque a guerra na Síria não é feita por rebeldes opositores ao regime, o que não significa que não exista oposição na Síria, a guerra na Síria é feita por mercenários islamitas, mas não só, e poucos terão a nacionalidade síria. Como se sabe depois da destruição da Líbia a atenção da NATO, dos Estados Unidos e dos seus aliados voltou-se para a Síria e um grande contingente de mercenários fundamentalistas islâmicos foi transferido para a Síria.
E tudo isto é preocupante, muito preocupante quando temos governos do Mundo Ocidental a promoverem fakenews, aliás não é necessário fazer um grande esforço de memória para nos lembrarmos que Colin Powell, Secretário de Estado da Administração de George Bush, em 5 de Fevereiro de 2003, fez um discurso perante o Conselho de Segurança da ONU, em que pretendeu demonstrar a existência de armas de destruição massiva nas mãos do Presidente iraquiano Saddam Hussein. A certeza de Powell era tanta que chegou a agitar perante o Conselho um frasquinho com o que dizia ser uma amostra de armas químicas iraquianas proibidas. Mais tarde, quando os EUA reconheceram a inexistência de tais armas, Powell reconheceu também que o discurso ficara como uma "nódoa duradoura" no seu currículo. Não me preocupa a nódoa no currículo de Colin Powell, preocupam-me os milhares, os milhões de mortos e refugiados que a encenação de Colin Powell provocou, preocupa-me que os países europeus tenham acompanhado os Estados Unidos neste logro mundial.
O suposto ataque químico em Guta Oriental estava previsto e faz parte de um plano que permita ganhar o apoio da opinião pública mundial para uma intervenção militar sobre Damasco do triunvirato França, Inglaterra e Estados Unidos que tem executado o plano delineado pelos falcões do Pentágono e da NATA, desta vez sem subterfúgios nem interpostas organizações terroristas, o energúmeno que reside na Casa Branca, anunciou de imediato. E se cumprir o seu anúncio feito pelo “Twitter”, estará para acontecer, nas próximas horas, o bombardeamento a um país soberano. Isto sem estar provado, primeiro a existência de ataque com armas químicas, segundo a ser provada a existência de um ataque com armas químicas, é necessário apurar o seu autor, aliás estas encenações e acusações não acontecem pela primeira vez sem que, no entanto, se tenha provado que o ataque foi feito pelas tropas sírias.
Mas nada disto é novo. A diplomacia Russa e Síria, em sede das Nações Unidas, com base na recolha de informação dos serviços de inteligência destes dois países, já tinham denunciado que iria ter lugar uma encenação pelos grupos terroristas que ainda ocupam uma zona de Guta Oriental. Por outro lado, este novo episódio não está, de todo desligado, das acusações da Inglaterra à Rússia, sobre o ataque de que foi feito a um antigo espião russo e à sua filha, em Salisbury, com um agente tóxico, o “novichok” de origem russa (desenvolvido ainda no tempo da URSS). A Inglaterra acusou, mas como se sabe nem os serviços de inteligência de Sua Majestade, nem os laboratórios conseguiram ligar o ataque e a proveniência do agente tóxico à Rússia.
Os Estados Unidos, a Inglaterra e a França, mas também a Arábia Saudita e as restantes monarquias do golfo não perdoam à Rússia, isto para além de outras questões, a derrota infligida ao DAESH/Al-Qaeda/Al-Nusra, ou lá como se quiserem denominar os grupos terroristas que promoveram a guerra na Síria. Antes do apoio militar russo à Síria o terrorismo ganhou posições e ocupou território sírio, apesar da intervenção dos Estados Unidos e dos seus aliados, com a entrada da Rússia, esta assim a acertar no alvo, o DAESH ou Estado Islâmico, ou qualquer outra das designações porque são conhecidos os terroristas que atuam na Síria, desmoronou-se.

Quase a finalizar este escrito chegou a seguinte notícia:
"Primeira-ministra britânica marca reunião para delinear ação militar na Síria após alegada utilização de armas químicas no país.
A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, convocou para esta quinta-feira uma reunião extraordinária do seu Gabinete com o objetivo de aprovar um plano de intervenção militar na Síria.
A notícia é avançada pela Sky News, segundo a qual o governo britânico se prepara para participar numa força tripartida liderada pelos Estados Unidos e que conta também com a França."

Só posso ficar preocupado. Theresa May não é diferente de Donald Trump, assim como Tony Blair, Aznar e Bush não o eram quando, nas Lajes e também com alegadas suspeições, decidiram invadir o Iraque. Agora as suspeições são sobre a Síria e a Rússia e se a Síria, assim como o Iraque não tinham grande poderio militar, com a Rússia não é bem assim e a China ainda não se pronunciou. Ou seja, o cenário internacional está ao rubro e a qualquer momento pode acontecer uma calamidade que não se confinará apenas à Síria.

Aqui fica o testemunho de uma missionária católica sobre a questão Síria. 

Não deixem de ver e talvez os ajude a perceber que a história que nos têm contado talvez não seja bem assim

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 11 de Abril de 2018

A SATA e a fosca transparência

Foto by Aníbal C. Pires
Poderia até entender o silêncio que se tem abatido na venda de 49% do capital social da SATA Internacional/Azores Airlines, podia se fosse um negócio privado. Mas não é, trata-se da alienação de património público e, como tal, não podem os seus acionistas (o Povo Açoriano) ficar arredados dos contornos desta operação. Quanto aos trabalhadores da empresa, a lei é clara sob a obrigatoriedade de audição dos seus representantes. Algures por aí, já afirmei que a própria decisão de privatizar parte do capital social desta empresa pública está, ela própria eivada de uma ilegitimidade democrática, ou seja, os açorianos não sufragaram esta decisão. No programa eleitoral do PS Açores não constava esta proposta.
Este processo para o qual foi nomeada, com pompa e circunstância, uma Comissão de Acompanhamento como objetivo da observância da legalidade e da total transparência, pois bem a Comissão de Acompanhamento já tem matéria para se poder pronunciar uma vez que, não foram cumpridas algumas obrigações legais constantes da Lei do Trabalho, como sejam, i) direito de informação; ii) obrigatoriedade de consulta à Comissão de Trabalhadores (CT); e iii) direito de participação. A não observância destes itens consagrados na Lei impediu, desde logo, a emissão de um parecer prévio da CT. De tudo isto e muito mais foi informada, por quem de direito, a Comissão de Acompanhamento, mas até ao momento não se conhece nenhuma pronúncia. Se me permitem eu diria que a transparência, com comissões ou sem elas, é como olhar, num dia de Sol, para paisagem singularmente bela que se avista da Serra do Cume através de um vidro fosco.
O mais interessante é o pedido de recato feito pela administração do Grupo SATA aos representantes dos trabalhadores para, segundo a SATA, o processo de privatização decorrer o melhor possível. Por um lado, privam-se os trabalhadores de direitos consagrados na lei e, por outro ainda são aconselhados a estar calados para bem, só não se sabe para bem de quê. E eu diria que não será para bem dos interesses dos Açores e dos açorianos. Vá-se lá saber porquê, mas quando falo deste assunto vem-me sempre à lembrança o Banco Comercial dos Açores (BCA). Sim eu sei que já não existe, talvez por isso me venha à memória o caso do BCA quando o assunto trata da alienação de empresas públicas estratégicas para a Região.

Foto by Aníbal C. Pires
O ambiente no seio dos trabalhadores do Grupo SATA é de muita apreensão face a tudo o que ultimamente se tem passado e que poderá, ou não, estar diretamente ligado ao processo de alienação de parte do capital social da SATA Internacional/Azores Airlines. Há muita apreensão quanto ao futuro dos seus postos de trabalho, mas existe também um sentimento de medo. Medo que tolhe os trabalhadores e os remete para o silêncio. Um silêncio que até posso perceber, mas esta inércia dos trabalhadores da SATA não deixa de ser cúmplice com a administração e a tutela.
Diz-se por aí que a passagem à Fase II do processo de privatização, Propostas Vinculativas, está atrasada em virtude do elevado número de Manifestações de Interesse (Fase I) que terminou a 16 de Março, ou seja, a SATA e a Comissão de Acompanhamento ainda não conseguiram, tal terá sido o número de Manifestações de Interesse, avaliar e validar todas as propostas. Estará aqui uma justificação, plausível, para que ainda não seja do domínio público quais as candidaturas que passaram à segunda fase do processo.
Aguardemos pelas surpresas que por aí virão, tendo eu a ideia que o parceiro desejado por alguns pilotos e tripulantes de cabine (e não são poucos) não vai aparecer. Esperando para ver. E giro, mas mesmo giro e cristalinamente transparente seria que a Hi Fly constasse da lista das Manifestações de Interesse e tivesse passado à fase das Propostas Vinculativa. Isso é que era. Este parágrafo é pura especulação, mas face à falta de informação sobre o assunto, tudo nos será permitido.
Ponta Delgada, 09 de Abril de 2018

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 11 de Abril de 2018

terça-feira, 10 de abril de 2018

... da nitidez

Imagem retirada da Internet




Excerto de texto a publicar amanhã na imprensa regional e, claro está, também aqui no momentos







(...) Este processo para o qual foi nomeada, com pompa e circunstância, uma Comissão de Acompanhamento como objetivo da observância da legalidade e da total transparência, pois bem a Comissão de Acompanhamento já tem matéria para se poder pronunciar uma vez que, não foram cumpridas algumas obrigações legais constantes da Lei do Trabalho, como sejam, i) direito de informação; ii) obrigatoriedade de consulta à Comissão de Trabalhadores (CT); e iii) direito de participação. A não observância destes itens consagrados na Lei impediu, desde logo, a emissão de um parecer prévio da CT. De tudo isto e muito mais foi informada, por quem de direito, a Comissão de Acompanhamento, mas até ao momento não se conhece nenhuma pronúncia. Se me permitem eu diria que a transparência, com comissões ou sem elas, é como olhar, num dia de Sol, para paisagem singularmente bela que se avista da Serra do Cume através de um vidro fosco. (...)