sábado, 20 de janeiro de 2018

O Justo Equilíbrio - crónicas radiofónicas

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2018) by Madalena Pires








Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105FM

Hoje fica o texto da crónica emitida a 11 de Novembro de 2017 que pode ser ouvida aqui













O Justo Equilíbrio

Reuni alguns dados sobre vários assuntos para hoje partilhar consigo. Diferentes temáticas todas elas mais ou menos interessantes, atuais e relevantes conforme o ponto de vista e o gosto de cada um de nós.
A Web Summit, a redução da taxa do desemprego, a qualidade e o rendimento do trabalho o Orçamento Geral do Estado, mas também as propostas de Plano Anual e Orçamento da Região Autónoma dos Açores para 2018, o espúrio anúncio do encerramento do IMAR e do fim da rota da Azores Airlines que liga a Terceira a Madrid, ou ainda da realização, hoje mesmo, do Azores Challenge Trail para daí partir para a importância da atividade física na preservação da saúde, ou seja, na promoção do nosso bem estar físico e psicológico.
Tudo isto e mais outros tantos tópicos faziam parte das minhas notas para este nosso encontro semanal.
Tudo arrumadinho e pronto para iniciar esta nossa conversa quando me veio à lembrança que hoje é dia de S. Martinho. Coloquei os apontamentos de lado, ficarão para uma outra oportunidade, e decidi-me, espero que seja do seu agrado, por partilhar consigo uma breve reflexão que escrevi no passado mês de Agosto à qual dei o título “O justo equilíbrio”.
Temos sentimentos que nos alegram ou entristecem e, provocam-nos bem ou mal-estar consoante a sua natureza.
Os sentimentos induzem o pensamento e o comportamento. Por outro lado, as emoções são, segundo alguns pensadores, uma forma radicalizada que os sentimentos podem assumir.
E o que é levado ao extremo pode induzir comportamentos irracionais. Todos temos consciência, uns mais outros menos, de comportamentos ilógicos. Todos, de uma forma mais ou menos intensa, já nos comportámos fora do que seria desejável e benéfico para nós, ou seja, fomos, em algum momento, irracionais. A emoção sobrepôs-se a outros fatores que deveriam ter mediado a ação e, por consequência o comportamento.
Não interessa tanto se os outros assim o observaram, embora os outros também devam ser considerados, afinal não vivemos sozinhos mesmo que possamos não ser muito sociáveis ou que, pura e simplesmente, os outros, não nos importem. O que levado ao extremo pode resultar por escolher ficar à margem, optar pela autoexclusão.
Não tenho nada contra os eremitas, até admiro a sua capacidade de viverem sós e afastados, ou pelo menos, reduzindo as suas relações sociais ao essencial, mas não a considero uma decisão razoável para mim, embora passe muito tempo comigo mesmo.
Ir atrás das emoções pode ser caótico. As emoções afastam a racionalidade do comportamento. Racionalidade que sendo, no meu dicionário de sinónimos, calculismo, frieza e insensibilidade, ou mesmo a ausência de sentimentos não pode, porém, deixar de ser considerada num dos pratos da balança quanto determinamos o que fazer, o que dizer, ou como optar. No outro prato da balança deve estar, sempre, a emoção.
É no justo equilíbrio entre a razão e a emoção que se encontram as melhores decisões, sejam as decisões do momento e aparentemente inócuas, sejam as decisões que afetam de forma irreversível o nosso futuro.
Tenha sentimentos, mas não corra atrás das emoções.
Apaixone-se. Mas ame, sobretudo, ame desmedidamente

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 11 de Novembro de 2017

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Em Lisboa, Um Perigoso Leitor de Jornais


Um Perigoso Leitor de Jornais, romance baseado em factos reais, da autoria de Carlos Tomé, é apresentado em Lisboa, já hoje, dia 19 de Janeiro, pelas 21h 30mn..
A Casa dos Açores de Lisboa acolhe e promove este evento literário ao qual, para quem estiver por Lisboa ou arredores aconselho a ir e a adquirir um exemplar do livro que é apresentado.
Quem ler vai ficar surpreendido, não só pela escrita fluida e realista do autor, mas sobretudo pela temática que aborda. Carlos Tomé não só resgata a estória do seu avô, o autor resgata para a memória coletiva regional e nacional uma das muitas estórias de que foi feita a luta contra o fascismo em Portugal..
Trata-se da estória de mais de duas dezenas de micaelenses presos na cidade de Ponta Delgada, em 1938, e condenados ao degredo no forte de S. João Baptista, em Angra do Heroísmo, grupo do qual fazia parte Carlos Ildefonso Tomé, avô do autor, carteiro de profissão.
No forte de S. João Baptista, em Angra do Heroísmo, Carlos Ildefonso Tomé foi enclausurado na ala onde estavam alguns dirigentes comunistas, entre os quais Pires Jorge, com quem manteve uma relação de amizade e camaradagem.
Um Perigoso Leitor de Jornais constitui um importante e genuíno contributo para a compreensão social e política de uma época da nossa história coletiva sobre a qual existem poucos estudos e muitas tentativas de branqueamento.
Quando assisti ao lançamento do livro em Ponta Delgada escrevi uma publicação que pode ser lida aqui

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Dos usos da cannabis

Imagem retirada da Internet
Há alguns dias atrás a opinião pública foi inquinada com a discussão na Assembleia da República de um diploma do BE e do PAN sobre o uso terapêutico da cannabis. Uma discussão que trazia associada alguns aspetos ligados ao uso daquela substância para efeitos recreativos que, sendo importante, é bem distinto da alegada pretensão do BE e do PAN e, diria, faz parte de uma outra e necessária discussão. Por outro lado, sabe-se que a lei já permite a comercialização de medicamentos que contêm cannabis, e outras substâncias, como por exemplo o ópio, sem que a Assembleia da República tenha de se pronunciar especificamente sobre autorizações pontuais.
Para que fique claro o INFARMED, autoridade a quem compete a certificação dos medicamentos, pode sem nenhuma alteração à lei autorizar a comercialização de medicamentos tendo por base a cannabis. O uso da cannabis ou de qualquer outra substância para fins terapêuticos é uma questão essencialmente técnica e científica e não uma questão política.
O BE e o PAN pretenderam, assim, que a Assembleia da República se substituísse ao INFARMED, o que não me parece razoável, mas o BE e o PAN não tiveram coragem de assumir, sem equívocos, que a alteração que subscreveram pretendia ir além das questões terapêuticas para abrir, de forma encapotada, caminho ao uso da cannabis para fins recreativos.
Está chegada a altura de fazer uma declaração de princípio. Sem nenhuma reserva defendo que o uso da cannabis para fins recreativos deve ser objeto de um quadro legal que permita, não só a plantação, mas a também a sua comercialização. Simplificando, pessoalmente defendo o uso da cannabis, comercializada legalmente, para fins recreativos.
Imagem retirada da internet
A plantação, a transformação e a comercialização da cannabis para fins recreativos, como atividade legalizada, será desde logo uma importante medida de combate ao tráfico desta e de outras substâncias. Mas a adoção de medidas, estas sim, políticas que criem um quadro legal e regulamentar do uso da cannabis para fins recreativos não se fica apenas por isso. Sem sequer regressar à questão da saúde, o cultivo, a transformação e a comercialização da cannabis para uso recreativo pode constituir-se como uma atividade económica interessante, desde logo para a Região, pois como se sabe a planta de que falamos e que se cultiva, ilegalmente nos Açores, tem procura nos mercados onde a sua comercialização para uso recreativo está legalizado. E na verdade a cannabis é cultivada por aí em todos os rincões das nossas ilhas, basta atentar à ação policial e à geografia dos eventos de descoberta e destruição de plantações para sustentar esta afirmação.
A delicadeza desta discussão obriga, necessariamente, a um aprofundamento e esclarecimento das vantagens e eventuais efeitos indesejáveis do uso pessoal e recreativo, uma vez que para fins terapêuticos estamos esclarecidos e dotados dos instrumentos necessários e suficientes para que a autoridade nacional possa certificar medicamentos com base na cannabis.
Ponta Delgada, 16 de Janeiro de 2018

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 17 de Janeiro 2018

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

... da clarificação

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires




Fragmento de texto a publicar na imprensa regional e no momentos. Aqui mesmo como é habitual.






(...) Está chegada a altura de fazer uma declaração de princípio. Sem nenhuma reserva defendo que o uso da cannabis para fins recreativos deve ser objeto de um quadro legal que permita, não só a plantação, mas a também a sua comercialização. Simplificando, pessoalmente defendo o uso da cannabis, comercializada legalmente, para fins recreativos.
A plantação, a transformação e a comercialização da cannabis para fins recreativos, como atividade legalizada, será desde logo uma importante medida de combate ao tráfico desta e de outras substâncias. Mas a adoção de medidas, estas sim, políticas que criem um quadro legal e regulamentar do uso da cannabis para fins recreativos não se fica apenas por isso. (...)

Na senda da destruição da economia produtiva

Imagem retirada da Internet
SOMAGUE na Terceira, SINAGA em S. Miguel e, agora a COFACO no Pico. Trata-se de despedimentos com tudo o que isso significa em termos sociais e económicos nas pequenas economias insulares, trata-se do fim, no caso da SINAGA e da COFACO, de atividades industriais que transformavam produtos da terra e do mar.
Apesar das dificuldades conhecidas, em qualquer dos casos, o desfecho não tinha que ser forçosamente assim. No caso da SOMAGUE os despedimentos, uma centena nos Açores sendo a maioria na ilha Terceira. Este despedimento coletivo foi justificado pela SOMAGUE com fazendo parte de uma reestruturação global da empresa. As vítimas desta reorganização foram os trabalhadores, mas os gestores e estrategas empresariais foram os responsáveis pelas dificuldades traduzidas na diminuição da atividade e, por conseguinte, da quebra das receitas que se têm verificado desde 2015. Não existe perigo de insolvência e mais mês menos mês, mais ano menos ano a SOMAGUE voltará a recrutar trabalhadores. Novos contratos, menos direitos, menos custos do trabalho. Esta é a velha fórmula que generalidade dos empresários portugueses utiliza para aumentar a sua competitividade. Entretanto a SOMAGUE continuará a sustentar a sua atividade à custa das obras públicas que lhe forem adjudicadas.
A escassez de matéria prima, as regras europeias e a liberalização do mercado internacional acentuaram as dificuldades financeiras da SINAGA, todos percebemos que era necessário encontrar uma solução, assim não podia continuar. Mas ao invés de modernizar e diversificar a atividade transformadora, como chegou a estar anunciado, a opção foi o encerramento da atividade fabril e os despedimentos.
Imagem retirada da Internet
O início de 2018 trouxe a confirmação do que há muito se suspeitava. A COFACO Pico tal como a conhecemos encerra, e os seus cerca de 200 trabalhadores vão ser despedidos.
Vai ser construída uma nova fábrica e, ao que diz por aí, até já tem garantia de financiamento por fundos públicos e comunitários. Não deixa de ser paradoxal que uma empresa que encerra e despede todos os trabalhadores beneficie de financiamento público para voltar a abrir com a mesma atividade, embora reduzindo o leque dos produtos transformados, ou seja, a nova fábrica vai fazer, apenas, conserva de lombos de atum. Esta opção requer menos especialização e menos trabalhadores.
O processo da COFACO esteve sempre envolto numa nuvem de contradições e as respostas políticas do Governo regional esboroaram-se no limiar de 2018. E não foi a primeira vez que aconteceu, todos nos lembramos do encerramento da unidade fabril da COFACO na ilha do Faial, mas a Região continua a não exigir que a empresa cumpra as suas responsabilidades sociais e, para além disso ainda facilita o acesso ao financiamento público.
Os trabalhadores da COFACO e a população da ilha do Pico foram surpreendidos com esta decisão, por quanto o Governo Regional, sempre deu garantias de que não ocorreriam alterações que colocassem em causa a continuidade da empresa e que os postos de trabalho estavam assegurados. A administração da COFACO corroborava estas afirmações e foi desenvolvendo uma estratégia de desagregação da estrutura organizacional e do capital social da COFACO. Foi criada uma nova empresa, para substituir a COFACO no Pico, com o estatuto de PME e, é esta nova empresa que se candidata aos fundos comunitários e à comparticipação do orçamento regional para a construção da nova fábrica.
É inadmissível que o Governo Regional aceite, sem reservas, esta manipulação dos instrumentos legais, utilizados de forma pouco clara e na fronteira da ilicitude, e não tenha procurado contrariar esta estratégia empresarial que vai produzir impactos sociais e económicos dramáticos na ilha do Pico.
Horta, 14 de Janeiro de 2018

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 15 de Janeiro de 2018

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

... do capital sem risco

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires








Excerto de texto a publicar na imprensa regional e no blogue momentos


(...) Os trabalhadores da COFACO e a população da ilha do Pico foram surpreendidos com esta decisão, por quanto o Governo Regional, sempre deu garantias de que não ocorreriam alterações que colocassem em causa a continuidade da empresa e que os postos de trabalho estavam assegurados. A administração da COFACO corroborava estas afirmações e foi desenvolvendo uma estratégia de desagregação da estrutura organizacional e do capital social da COFACO. Foi criada uma nova empresa, para substituir a COFACO no Pico, com o estatuto de PME e, é esta nova empresa que se candidata aos fundos comunitários e à comparticipação do orçamento regional para a construção da nova fábrica. (...)

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Empobrecer - crónicas radiofónicas

Foto by Aníbal C. Pires




Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105FM

Hoje fica o texto da crónica emitida a 4 de Novembro que pode ser ouvida aqui






Empobrecer

O anúncio do encerramento da SINAGA, enquanto unidade de produção de açúcar a partir da beterraba sacarina, não constituiu propriamente uma surpresa. As caraterísticas do mercado internacional do açúcar, as regras da União Europeia, os acordos de livre comércio, a diminuta área agrícola de produção da beterraba e, sobretudo a inércia do Governo Regional que, sobre a SINAGA fez o que costuma fazer quando a complexidade dos problemas ultrapassa a gestão corrente, Derrama dinheiro sobre o assunto e espera que, bem ou mal, o tempo resolva.
Em 2010 concordei com a intervenção da Região na SINAGA, ainda que, não nos moldes em que foi realizada. Apesar do meu acordo tinha, contudo, consciência de que não se podia ficar apenas por aí. A empresa necessitava de uma nova unidade de produção e não se podia limitar, apenas e só, à transformação da beterraba sacarina e à refinação do açúcar, tinha de diversificar a sua produção.
No momento e em sede própria assim o propus. Mas o Governo Regional fez sempre ouvidos moucos das minhas recomendações e o PS, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, encarregava-se de chumbar as minhas propostas e recomendações. Até que, corria o ano de 2016, não porque me tivessem ouvido, mas porque os interesses do momento assim o aconselhavam, foi o próprio Governo Regional, pela voz do então Secretário Regional da Agricultura, Luís Neto Viveiros, que anunciou a construção de uma nova unidade de produção para a SINAGA, à saída de uma audição da Comissão Parlamentar de Economia, realizada no dia 6 de Junho de 2016.
Como agora se constata, passado pouco mais de um ano, não passou disso mesmo, de mais um anúncio que se esfumou na memória de alguns cidadãos, mas que, em devida altura serviu um determinado objetivo, quiçá eleitoral pois, como sabem, 2016 foi ano de eleições regionais. Nada de novo no exercício do poder político sustentado por uma absoluta maioria decadente e acrítica. O poder executivo conta com a memória curta dos cidadãos e, os cidadãos mais atentos já se habituaram a destrinçar as alegorias da realidade e vão, cada vez em maior número, desacreditando na democracia e nos seus rituais. Do descrédito à abstenção vai um pequeno passo e, a democracia fenece.
A SINAGA não vai fechar portas, mas com esta decisão a agroindústria regional fica mais pobre. É uma atividade agrícola que fecha um ciclo que teve importância económica, é uma atividade industrial que como outras, ligadas ou não à agricultura, foram encerrando ao longo das últimas décadas, quer em S. Miguel, quer noutras ilhas da Região.
Reduzir a atividade económica produtiva regional é caminhar para o empobrecimento e não há Turismo que nos valha. Veja-se o exemplo das ilhas Canárias um dos destinos turísticos mais procurados e, no entanto, é uma das Regiões mais pobres da União Europeia. Isto para além do turismo ser uma atividade económica de grande incerteza, aliás os Açores estão a beneficiar, certamente do novo paradigma dos transportes aéreos, mas não só. Muitos dos destinos tradicionais na margem sul da bacia do Mediterrâneo, deixaram de ter procura devido à instabilidade que se instalou com a radicalização dos sistemas políticos que resultaram da chamada “Primavera Árabe”. Os Açores beneficiaram claramente com esse e outros fatores ligados à segurança do destino.
Quando em 1983 cheguei à ilha de S. Miguel, tive oportunidade de visitar uma fábrica de reciclagem de papel, ainda a reciclagem e a separação dos lixos não faziam parte dos nossos hábitos, nem os resíduos eram um chorudo negócio.
A fábrica produzia papel kraft e cartão reciclados. Não sei precisar qual foi o ano do seu encerramento, nem as razões que estiveram na origem da decisão, nem o número de postos de trabalho que, com o seu encerramento, se extinguiram, mas sei, e o tempo assim o demonstrou, que a cidade de Ponta Delgada, a ilha de S. Miguel e os Açores ficaram mais pobres.

Ponta Delgada, 02 de Novembro de 2017

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Sinais do tempo ou do mercado

Imagem retirada da internet
Não deixa de ser interessante embora dramático observar, por um lado o comportamento passivo da generalidade dos cidadãos, todos potenciais clientes/utentes, dos trabalhadores que nem sempre têm consciência que mais tarde ou mais cedo o cenário não será o que lhes desenharam, mas é, sobretudo, o comportamento ativo, mas contraditório, de alguns protagonistas e decisores políticos quando são anunciadas privatizações de empresas públicas e os elogios que tecem à decisão. As privatizações são aceites sem grandes reservas e em muitos casos até aplaudidas pois, daí espera-se maior eficiência e até a diminuição dos custos do serviço prestado, Nada de mais errado como o tempo tem vindo a demonstrar.
A privatização dos CTT é, talvez, o caso mais paradigmático. A qualidade do serviço diminuiu, as queixas dos clientes são mais que muitas e os custos para os utilizadores sofreram substantivos aumentos. Ainda assim os lucros não satisfazem os investidores privados e aí temos uma anunciada reestruturação que prevê o encerramento de mais 22 postos de atendimento e o despedimento de largas centenas de trabalhadores.
As reações não se fizeram esperar, desde logo dos trabalhadores os primeiros visados, mas também das populações e de alguns protagonistas políticos que agora, para responderem ao descontentamento dos trabalhadores e das populações se desdobram em declarações contra a reestruturação, sabendo-se que quando podiam e deviam travar o processo de privatização, então sim, deveriam ter-se mobilizado para que tal não acontecesse. Mas não, a modernidade e progresso não é, segundo os próprios, sinónimo de detenção de empresa pelo Estado. Cá por mim que tenho outro entendimento do que deve ser o progresso e a modernidade defendi e defendo que os CTT devem pertencer à esfera pública, afinal trata-se de uma empresa lucrativa que presta um serviço público, que se quer de proximidade e com um serviço de qualidade.
Imagem retirada da internet
A recuperação dos CTT para o domínio público é um imperativo nacional, de soberania, coesão territorial e justiça social e de defesa do serviço postal público.
É necessário ter em consideração a voz dos trabalhadores e das populações e assumir que como solução a reversão da privatização da empresa CTT Correios de Portugal. O Governo da República não pode continuar a assistir a esta degradação e depredação dos CTT sem nada fazer, deixando prosseguir uma estratégia tendente ao esgotamento progressivo duma empresa com papel fundamental e insubstituível para o país e populações e que emprega mais de dez mil trabalhadores.
Considerando o papel que cabe aos Correios como instrumento insubstituível para a coesão social, económica e territorial do nosso país e que ao Estado cabe a responsabilidade de garantir que os serviços postais são assegurados em condições de igualdade a todos os cidadãos, sem discriminação de qualquer espécie, é imperativo que se inicie o processo de recuperação do controlo e gestão do serviço postal universal por parte do Estado, através da reversão da privatização dos CTT - Correios de Portugal. Esta é uma recomendação do PCP, já feita pelo seu Grupo Parlamentar, na Assembleia da República, aguardemos pelo seu desfecho.
Ponta Delgada, 09 de Janeiro de 2018

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 10 de Janeiro de 2018

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Toada do mar e da terra - dia 15 no Faial


No próximo dia 15 de Janeiro, na cidade da Horta, pelas 21h, na Cedars House, terá lugar a apresentação pública do livro “Toada do mar e da terra – Volume I 2003/2008”, crónicas de Aníbal C. Pires e ilustrações de Ana Rita Afonso. A sessão será presidida por Sua Excelência a Presidente da ALRAA e a apresentação do livro será feita por Renata Correia Botelho.
Aqui fica o convite.

... encerrar e despedir

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires





Excerto de texto a publicar na imprensa regional e no blogue momentos






(...) As reações não se fizeram esperar, desde logo dos trabalhadores os primeiros visados, mas também das populações e de alguns protagonistas políticos que agora, para responderem ao descontentamento dos trabalhadores e das populações se desdobram em declarações contra a reestruturação, sabendo-se que quando podiam e deviam travar o processo de privatização, então sim, deveriam ter-se mobilizado para que tal não acontecesse. Mas não, a modernidade e progresso não é, segundo os próprios, sinónimo de detenção de empresa pelo Estado. Cá por mim que tenho outro entendimento do que deve ser o progresso e a modernidade defendi e defendo que os CTT devem pertencer à esfera pública, afinal trata-se de uma empresa lucrativa que presta um serviço público, que se quer de proximidade e com um serviço de qualidade. (...)